Confesso que
conheci a frutinha gabiroba somente quando cheguei a Botucatu-SP, onde resido
até hoje. Foi no campo
arenoso e árido que circundava o majestoso prédio da Faculdade de Ciências
Médicas e Biológicas de Botucatu ( 1963 ) que conheci os arbustos da gabiroba
com suas frutinhas amarelas, maduras, de caldo doce ao paladar. Não a achei
atraente, mas aprendi, com a descoberta, alguns segredos da natureza e da
história médica local.
Transitando
a pé, diariamente, naquela área de acesso para as aulas na faculdade, fui
alertado sobre a frequente presença de cobras venenosas em torno daqueles
arbustos frutíferos e, também, de escorpiões nos arredores. Aprendi, depois,
que foi exatamente essa riqueza biológica local que atraiu um famoso médico à
região.
Foi a
frequência de acidentes ofídicos relatados aqui, quase sempre fatais naquela
época ( final do século XIX ) que atraiu o médico Vital Brazil ( 1865 - 1950 )
para a cidade de Botucatu, onde clinicou por longo tempo e desenvolveu as
primeiras experiências com soro antiofídico, salvando muitos. Transferiu-se
mais tarde para a capital, fundando o Instituto Butantã.
Felizmente,
hoje, o rico desenvolvimento científico junto à moderna Faculdade de Medicina
de Botucatu - UNESP e seu Hospital de Clínicas com atendimentos de alta
complexidade e de ampla abrangência, conta com descobertas científicas que
geraram inovações médicas desenvolvidas neste Campus.
A UNESP
conta com um relevante centro de pesquisas, aqui em Botucatu, que favorece o
desenvolvimento de novos medicamentos e produtos biológicos a partir de venenos
de animais peçonhentos ( CEVAP ).
Observamos,
assim, brilhante sequência de progressos para todos os estudiosos cientistas do
futuro, sempre beneficiando a humanidade, como fez Dr. Vital.
E, na minha
ignorante cachola, tudo começou no desconhecido pé de gabiroba. Atraente, sim,
para as serpentes e, estas, para a ciência médica. Ainda bem!






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