Por: Assessoria de Comunicação do CEDEM, da Unesp / foto divulgação
No dia 8 de agosto, D. Pedro Casaldáliga faleceu em Batatais, interior de São Paulo, aos 92 anos, por complicações respiratórias em decorrência da doença de Parkinson. Foi uma vida dedicada às causas dos mais pobres e vulneráveis. Nascido em Balsareny, na província de Barcelona, na Espanha, 16 de fevereiro de 1928, o bispo mudou-se para o Brasil em 1968, fixando residência em Mato Grosso (MT), onde buscou a conscientização de índios e pequenos agricultores contra o poder do latifúndio.
Em 1971, foi nomeado bispo prelado de São Félix do Araguaia, região em que buscou a evangelização vinculada à promoção humana e à defesa dos direitos humanos. Criou as comunidades eclesiais de base com líderes para a conscientização dos oprimidos contra a exploração e pela vida e esperança.
Durante seu bispado procurou mostrar sua identificação com os povos indígenas, substituindo os trajes da igreja por outros confeccionados com materiais locais. A mitra foi trocada por um chapéu de palha; o báculo, por um cajado indígena e o anel de ouro por um anel de tucum. Este se tornaria símbolo da teologia da libertação.
D. Pedro apoiou a causa dos nicaraguenses contra o governo de Anastasio Somoza Garcia (1936 - 1978) e a revolta de Chiapas, em 1994, no México.
Por sua luta, foi ameaçado de morte inúmeras vezes. Durante a ditadura militar no Brasil também foi alvo de expulsão. Mas foi defendido por D. Paulo Evaristo Arns, respeitado por sua oposição ao governo ditatorial.
Foi poeta e autor de diversos livros em que manifestou sua crença nos homens e defesa da paz e dos vulneráveis. Entre eles, "Uma Igreja da Amazônia em conflito com o latifúndio e a marginalização social" (1971); “Murais da libertação”, 2005; “Versos Adversos”, 2006.
Escreveu o poema “Confissões do latifúndio”, transformado em um cartaz pelo MST, que o Centro de Documentação e Memória (CEDEM) mantém em seu acervo.
Confissões do latifúndio
Por onde passei, plantei a cerca farpada,
Plantei a queimada.
Por onde passei, plantei a morte matada.
Por onde passei, matei a tribo calada,
A roça suada, a terra esperada.
Por onde passei, tendo tudo em lei,
Eu plantei o nada.
D. Pedro Casaldáliga
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